Genesis, parte 10

Selecionei para escanear alguns desenhos antigos que ficam escondidos nas minhas pastas. Eu tinha o hábito de desenhar em folhas com textos, relatórios e outras coisas impressas do outro lado, o que torna difícil recuperar alguns deles. Outra coisa que (re)descobri é que eu usava folhas de um tamanho bizarro um pouco maior que A4. Como resultado os desenhos que vão de um extremo ao outro da página tiveram que passar por dois scans. Fiquei 1 hora só escaneando.

Depois perdi a noção do tempo ajustando um desenho para postar.

Esse desenho foi feito por volta de 1996. Devo ter gasto um bom tempo nele, acrescentando detalhes por dias. Outra curiosidade é que o cowboy ocupou a largura de uma página e faltou espaço. Os pés e o topo do chapéu estavam em outra folha. O título estava ainda em outra folha sobreposto a outro desenho do mesmo personagem.

Me diverti fazendo a montagem.


Nessas últimas semanas não tenho conseguido parar para continuar a história em andamento. Mesmo com ela já escrita, o processo de transformação em quadrinhos é um tanto quanto demorado. Desenhar, colorir, adicionar os textos e balões, enfim, não era tão fácil quanto eu esperava.
Para não deixar em branco vou postar esboços.

O esboço de hoje é de um personagem que talvez apareça algum dia.
Foi feito a lápis mesmo. Ajustei somente contraste, brilho e pronto.


Em seguida eu fiz mais 3 histórias.

A segunda contava como o professor Z, após escapar da prisão, se tornava o temível Tamanduí.

A terceira mostrava o primeiro confronto direto entre Formigui e Tamanduí. Mostrava também Formigui resgatando Rebecca, a namorada em perigo de Roberto.

Já a quarta se passava algum tempo depois. Começava mostrando como Formigui estava acostumado a combater vilões no seu dia a dia. Em seguida a história escalava para uma invasão alienígena, que era impedida por Formigui sozinho. Ao fim da história a frota invasora era expulsa da Terra, mas o líder da invasão, que se chamava “o Conquistador Negro”, ficava preso na Terra, jurando vingaça.

Meus desenhos não eram lá grande coisa, por isso eu tinha que praticar muito e usar de todas as técnicas que me eram disponíveis. Sem internet para pesquisar, as únicas pessoas que eu conhecia que gostavam de ler e desenhar quadrinhos eram o meu irmão, o vizinho que desenhava também e os irmãos e primos dele. Trocávamos idéias sobre como desenhar os personagens e até sobre as histórias. No fim, a técnica que aprendi para desenhar os quadrinhos era copiar.

Sim, copiar cenas, poses, cenários, etc. de quadrinhos que tínhamos. Esse meu vizinho copiava normalmente quadrinhos da Marvel, enquanto eu copiava de meus quadrinhos da DC.

O resultado? A seguir duas páginas da segunda parte da história do Formigui lado a lado com os quadros originais. Na maioria das vezes eu copiava alguns quadros de revistas diferentes, noutras eu chegava a copiar sequencias e as vezes até páginas inteiras.

Na página 5 da segunda história do Formigui, copiei 3 quadros da Adventures of Superman #432.

Já na página 12, a cópia foi mais longe ainda. Era uma página inteira de Superman #9.


Em 1989 eu tinha um vizinho que desenhava seus próprios quadrinhos também. Ele desenhava bem melhor do que eu.
Mostrei para ele os meus desenhos e os quadrinhos do Formigui e os outros heróis. Foi então que resolvi fazer uma nova história do herói inseto.
Os heróis que esse vizinho desenhava eram todos humanos (não coisas antropomórficas como os meus personagens) e eu achava todos eles muito legais. Por conta disso, decidi que o Formigui não podia ser uma formiga que virou gente, mas sim o contrário.
Sem muitas idéias, me baseei em uma história de uma revista que eu tinha. Era a origem de um personagem da DC Comics que eu gostava, o Nuclear (Firestorm).

Resgatei duas páginas dessa história, desenhadas naquela época. Vocês podem conferi-las a seguir. Só arrumei os textos por uma questão de legibilidade.
A história começava com Formigui logo após ganhar seus poderes, e era contada em um grande flashback (exatamente como na origem do Nuclear).

Seu nome era Roberto, um garoto com cerca de 15 anos que era sequestrado durante um assalto a banco e levado a uma instalação escondida. No caminho, os sequestradores enfrentavam a polícia, destruindo uma viatura que os perseguia.

Quando eles finalmente chegavam na tal instalação, éramos apresentados ao enigmático professor Z, que então submetia o garoto a um bizarro experimento que concedia a ele incríveis poderes.
O sequestradores eram aparentemente eliminados pelo professor antes do início do experimento. Eles eram dispensados e deixavam o local em um carro que explodia em seguida.
Durante o experimento, algo errado acontecia e se seguia uma grande explosão, que praticamente destruía a instalação do professor.


O professor escapava a tempo, mas era capturado pelo recém criado Formigui.
Resignado, o professor confessava a autoria intelectual de diversos assaltos e era preso.
Roberto voltava para casa e só então via seu reflexo em uma janela (exatamente como na origem do Nuclear).
Desesperado, o garoto acabava voltando a sua forma humana.
Essa era a origem do Formigui.

Após mostrar ao meu vizinho, ele olhou para o nome, pensou um pouco e disse algo do tipo:
- “Formigui parece meio de criança, quem sabe se cortar o ‘ui’ do final do nome?”
Eu mais do que prontamente peguei borracha e lapiseira e consertei o título da capa para Formig: a origem.


Solar não era um cientista, mas sim um piloto de foguete em uma missão na órbita solar. Sua nave foguete trazia na fuselagem o nome SOLAR I.

Ao sair da atmosfera terrestre, uma violenta onda de energia de origem desconhecida atingiu a nave, causando sua destruição. O piloto da nave destroçada foi colhido e banhado pela misteriosa energia, recebendo incríveis poderes solares. Imediatamente voltou voando para a Terra, onde se tornou um super-herói.

Não muito depois, ele encontra o Geleira, um oponente a sua altura com poderes opostos aos do herói.

Solar é de longe o mais poderoso desses personagens. Ele podia sobreviver no espaço e seu fogo queimava mesmo no vácuo! Ele voava e podia modelar seu corpo para outras formas incandescentes. Além disso, pode-se deduzir que, como não havia tecnologia para lançar um foguete tripulado em uma missão em órbita do sol em 1987, provavelmente o herói vinha de um futuro da Terra.